quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Aviso aos navegantes



Olimpíadas, Copa do Mundo, Enem,,, Será que o Brasil conseguirá realizar tudo isso a tempo? E o mais importante, sem jogar mais nosso precioso dinheiro no lixo ou nos bolsos dos magnatas? São sobre essas questões que trato no meu artigo "Fantasmas do Passado" que foi postado pela minha amiga Isabella em seu blog Dois Loucos em um Divã. Deem uma visitadinha no blog e leia! Não esqueça de ler também os outros textos de lá, são muitos bons! Fica a dica.


segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Mesa Redonda

Há quase um ano atrás, postei aqui no blog um artigo intitulado “Quebrando o silêncio” no qual eu criticava a atuação da mídia na cobertura de casos polêmicos e delicados, mais especificamente na forma como ela conduzia o caso Eloá. Desse artigo surgiu uma construtiva discussão entre minha amiga Isabella e este blogueiro na sessão de comentários do artigo. O tema da manipulação da mídia continua muito em voga, ou antes, nunca deixou de estar, de tão relevante que ela é, por isso merece ser continuamente promovida. Transcrevo a seguir os comentários feitos na íntegra.

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ISABELLA: Certamente, a mídia poderia fazer coisas muito boas se "fizesse uma melhor cobertura de alguns escândalos". Mas quem tem conhecimento para estabelecer o que é melhor ou não? Você? Eu? Um intelectual preparado para isso? A alienação é resultado tanto do excesso de informações como da falta dela. Tanto da falta de opinião do informante quanto do excesso de opinião do mesmo. E talvez saber que a mídia manipula, e é manipulável, seja uma espécie de proteção: nossa contra ela, pois não conheço ninguém que, sinceramente ou não, não olhe com desconfiança para qualquer mídia; nossa contra o “você”, o “eu”, ou qualquer grupo de intelectuais conhecedores da grande verdade, guiadores dos alienados, alienados que deixariam tal estado ao seguir seus pastores. Mas quem segue alguém é esclarecido? E quem não segue ninguém, a não ser as “próprias” idéias pode alcançar a não alienação? Se sim, como deixar a alienação sem seguir alguém, sem abraçar uma ideologia qualquer que não criamos, se todas as idéias que temos foram moldadas ao longo da educação que foi empreendida por homens dotados de subjetividade, portanto de idelogia? Qualquer ideologia pertence a uma época, qualquer época possui mídia e seus intelectuais. Intelectuais dispostos a esclarecer a grande massa de ignorantes. E para isso usa-se nobremente ou não a mídia. E o que fazer quando tanto a mídia portadora de boas intenções quanto a que esconde intenções maléficas, faz uso da mesma arma? O jornalismo informativo, imparcial, especialista em fingir não ter ideologia, ou outra intenção que não seja a de informar? Para mim não existe quem não seja alienado de uma forma ou de outra.

As ideologias nascem por alguma razão e é por essa razão e não pelas justas, que elas guiam os homens. Talvez essas razões pareçam justas, mas não parecerão da mesma forma depois. E se continuarem a parecer justas, como conhecer se o são realmente se não se sabe o quanto se sabe? Aliena-se quando a informação é pouca, aliena-se quando a informação é excessiva.

A solução é selecionar o que será informado, então como escapar da subjetividade de quem seleciona? Que a mídia trabalha de forma irresponsável é uma verdade aclamada pela própria mídia que não cansa de reclamar de si. Que coisas boas aconteceriam se ela trabalhasse de maneira “nobre” também é notório. Mas eu quero aprender a encontrar essa nobreza. Ler vários jornais e aprender a identificar suas opiniões para formar a minha é uma solução? Acreditei que seria. Mas como me livrar das minhas próprias ideologias inconscientes que guiam minha mente na direção “correta”? É isso o que eu quero aprender. Como fazer com que a mídia se comporte de maneira tão heróica? Eu gostaria muito de aprender isso também. Os heróis também têm sua ideologia, agem de forma condizente com ela sem que isso seja necessariamente justo para o oponente. Saber que a mídia manipula e é manipulável é algo que se descobriu séculos atrás, provavelmente desde que ela foi criada. Mas esse é só o primeiro passo de um caminho bastante longo onde os homens bem informados estancaram há bastante tempo. Quero assistir o segundo passo, quem sabe esse blog não possa me ajudar?


OTÁVIO: Concordo plenamente com todas as suas ponderações, mas é subestimar a incrível ignorância política de grande parte da população brasileira de achar que não há quem não desconfie do poder de manipulação da mídia. Vivemos em um país abarrotados de pessoas analfabetas e semi-analfabetas, portanto acredito ser difícil que todos eles saibam conscientemente de todas essas nuances jornalísticas que dá margem para a manipulação da informação e para propagação de ideologias de maneira quase subliminar. Outro ponto, pense na Rede Globo. por exemplo, seria um grande choque para mim se ouvisse, uma vez que fosse, ela reconhecendo que trabalhou de forma irresponsável na condução de sua pauta. Isso, sem dúvida, seria um grande sinal de progresso.

De resto, penso igualmente ao achar que o próprio sistema educacional por qual passamos durante a nossa formação é ideologicamente tendencioso, o que corrobora, de vez, o fato de que ninguém esta desprovido de sua própria ideologia; mas isso não impede que todos compartilhem idéias de direção correta a se tomar ou de idéias nobres para se empreender. Grande dissertação foi essa a sua Isabella e espero sim que nós contribuamos, de alguma forma, para o segundo passo.


ISABELLA: Quando digo que a própria mídia reconhece seu trabalho insatisfatório não me refiro à auto-avaliação e sim à maneira como uns acusam os outros. E sim, já vi no jornal da manhã da Rede Globo profissionais acusando a mídia de trabalhar de maneira tendenciosa ou, pelo menos, de maneira “irresponsável”. Com direito a olhares reprovadores e cabeça sendo meneada negativamente.

Quanto ao problema que vejo na “direção correta”, é justamente o de definir tal direção. Se uma pessoa, por mais bem informada que seja ou se ache, não sabe a profundidade de tudo o que existe de verdade, como saber qual a direção correta? Atuar diletantemente por algo que não se conhece verdadeiramente também é atuar de maneira “irresponsável”; de boas intenções o inferno está cheio_ perdão pela trivialidade. Por outro lado, quando se alcança o conhecimento e se faz uso deste, alcança-se o poder. Note a expressão “fazer uso” do conhecimento. Isso é manipulação. Isso você ou qualquer um que lide com informação faz. Admito que errei ao estender do meu círculo de convivência para o resto da população brasileira o conhecimento de que a mídia manipula.

Concordo quando você diz que existe uma enorme massa de analfabetos e ignorantes, uma massa manipulável que não tem consciência da maneira como a mídia atua. Entretanto, essa massa continuará a ser manipulável independentemente da maneira como a mídia atue. Para mim, o problema não é a mídia, a mídia é um instrumento a serviço das ideologias, sejam essas justas ou não. O problema é a existência da massa manipulável. E é aqui que concluo essa “dissertação”, agradecendo pelo elogio ao meu comentário anterior e resumindo-o em uma frase: acusar a mídia é um clichê, uma trivialidade tal qual a frase “de boas intenções o inferno esta cheio”, embora a banalidade não anule a verdade do conteúdo. A mídia realmente manipula como provavelmente o inferno está cheio de condenados de corações bem intencionados. A mídia neste tempo ou em qualquer outro manipulará quem estiver “forjado” a ser manipulado, o inferno estará sempre com as portas abertas, acolhedor, das boas intenções diletantes. O problema é a massa, é a formação, é forjar quem sabe, quem não sabe e quem acha que sabe. É nesta última classe que me incluo. Estarei esperando o segundo passo.



quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Com as novas descobertas petrolíferas...

sábado, 3 de outubro de 2009

Tiras Capitais #19

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domingo, 20 de setembro de 2009

Tiras Capitais #18


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domingo, 13 de setembro de 2009

Propaganda enganosa

O recente levantamento do IBGE sobre o comportamento do PIB brasileiro no 2º trimestre do ano mostrou uma alta de 1,9%, fato que, ao contrário do que muitos jornalistas disseram, não tirou o país da recessão, pois nós não chegamos a tanto. Tecnica- mente, para haver recessão, é necessário a retração da economia por três trimestres consecutivos. O Brasil acumu- lava queda nos dois últimos trimestres, sequência que foi interrompida com o atual desempenho do PIB apontada pelo IBGE.

Mas não se iludam a ponto de acharem que essa imprecisão técnica dos jornalistas e a recente alta do PIB brasileiro demonstrem que o nosso país está numa boa situação. Ao contrário, observados de perto, esses fatos denunciam o quão medíocre está o desenvolvimento brasileiro, mesmo sob a despeito da crise econômica mundial.

Os anos anteriores à eclosão dessa crise foram, para o mundo, de um desenvolvimento assombroso, poucas vezes visto na história contemporânea. Mas ainda assim, o Brasil crescia a taxas irrisórias se comparado ao nosso potencial. A política econômica brasileira, baseada na adoção de juros altos e de pouco estímulo a investimentos, sufocou nosso crescimento, a ponto de perdermos uma oportunidade histórica de crescermos como país grande, não apenas economicamente, mas também socialmente. Era triste ver o PIB crescendo a míseros 4% ao ano, enquanto outros países em condições semelhantes a nossa, como Turquia e México, cresciam o dobro.

Com o advento da crise a nossa economia andou para trás. O governo, entretanto, alardeia que fomos o país que menos sentiu os efeitos da crise. O que eles esperavam? Que tivéssemos uma queda na taxa de desenvolvimento do PIB semelhante aos de países que cresciam num ritmo bem maior que o nosso? É lógico que lugares que se desenvolviam num ritmo mais ousado teriam uma maior retração de sua economia.

No entanto, mal o IBGE havia divulgado o resultado do PIB trimestral e o Presidente Lula já estava sobre um palanque comemorando o resultado, sem mencionar que no acumulado do ano a economia acumula queda de 1,5%. Se vangloriar dizendo que “o Brasil foi o último país a entrar na crise e o primeiro a sair dela” é enganação das grossas. Sempre estivemos em uma crise: a crise da incompetência; e uma recessão seria vexatória para nosso país, haja vista as ínfimas taxas de desenvolvimento que mantínhamos.

A máquina de marketing político do governo sempre tentará vender para nós informações como essas, invariavelmente enaltecendo a mediocridade, como se não fosse motivo de vergonha e de melhoras. É necessário cuidado com tais propagandas , seria trágico se satisfizéssemos com ela.


domingo, 6 de setembro de 2009

Tiras Capitais #17


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sábado, 29 de agosto de 2009

Falta grave

O Senado Federal, nos últimos meses, está se destacando por ser palco de uma verdadeira balbúrdia desordenada, com discussões acaloradas, trocas de ofensas, xingamentos, ou seja, um show de horrores praticamente toda semana (que para os excelentíssimos senadores dura apenas três dias). Tudo isso justamente num local tão importante para o país, que deveria prezar pelo decoro e a ética. Mas no Brasil não. Lamentavelmente tivemos que inovar e sermos notabilizados por ter um legislativo tão corrupto e afeito a jogos de interesses particulares. É só conferir algumas sessões do Senado ou da Câmara, para vermos caciques políticos se engalfinharem num duelo de palavras sem motivo.

A última semana no Senado Federal nos reservou mais uma cena que irá entrar no seu longo histórico de crises. Na quarta-feira passada (25/08) o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) protagonizou uma cena no mínimo inusitada na tribuna do Senado. Ao discursar, o senador sacou um cartão vermelho e mostrou para José Sarney: “O melhor passo para a saúde do Senado e do próprio Sarney é simbolizado neste cartão vermelho. Que ele deixe a presidência do Senado permitindo que o Senado volte aos seus trabalhos normais”, disse o senador aos berros. Essa atitude foi suficiente para a tropa de choque do rabo preso sair em defesa do presidente do Senado.

Mas o maior crítico de Suplicy foi, quem diria, um senador da oposição, alguém que teoricamente deveria apoiar sua manifestação contra Sarney. Foi Heráclito Fortes (DEM-PI) que partiu a resposta mais contundente, disse que o senador paulista não estava sendo sincero e disparou: “Cartão vermelho [é] para o Lula, que foi quem invadiu o campo aqui e deu cartão amarelo ao [Aloizio] Mercadante [líder do PT no Senado] ". O bate-boca seguiu firme, cada um acusando o outro de ter culpa no cartório pela crise. Tudo isso enquanto Sarney estava bem tranqüilo, acomodado em sua cadeira presidencial. Cena mais emblemática impossível.

O curioso e o trágico desse episódio é que os senadores discutiam mesmo tendo a mesma opinião a respeito de José Sarney: ambos pedem a sua saída da presidência do Senado e seu julgamento pelo Conselho de Ética. Mas, ainda assim, os senadores arrumam alguma desculpa para fazer das sessões do Senado apenas um palco para embates partidários. Nada mais lamentável. Parece que os senadores são rivais a tanto tempo que nem se lembram mais do motivo pelo qual se enfrentam, o debate ideológico, programático, foi relegado ao esquecimento, não há mais espaço para o enfrentamento de idéias. Os partidos, e os seus membros, são adversários pelo simples motivo que precisam ser.

Eduardo Suplicy tem uma boa biografia e realmente é sincera sua orientação a respeito do caso Sarney, mesmo sendo ela diferente do da cúpula do PT, assim como o do presidente Lula. E imagino que não seja o único caso dentro do partido. Além de não possuírem uma orientação bem definida, os partidos brasileiros também não prezam pela coerência. Dentro do PMDB, por exemplo, tamanha é a diversidade de facções que se pode encontrar umas pendendo para a “pseudo-direta” e outras para a “pseudo-esquerda” brasileira. E quando o partido necessita entrar num entendimento é um verdadeiro Deus-nos-acuda; nunca há um consenso entre os seus membros. São essas algumas das singularidades da política brasileira que volta e meia produz casos como a sincera manifestação de Suplicy, mas que infelizmente é logo seguida de um inócuo debate partidário que acaba camuflando sua relevância.



domingo, 23 de agosto de 2009

Tiras Capitais #14, #15 e #16




Tarde demais


terça-feira, 18 de agosto de 2009

O que fazer com um texto?


A edição de domingo (16/08) do caderno "+Mais" da Folha de S. Paulo trouxe uma matéria falando sobre os cursos de escrita criativa que são moda nos Estados Unidos e que no Brasil vem ganhando força. A convite do jornal, três especialistas no assunto deram dicas básicas de como ler e escrever bem. De tão oportunas e adequadas que achei elas, que decidi transcrevê-las aqui no blog para o auxílio de todos que desejam melhorar a escrita e sua leitura, ou seja, praticamente todo mundo.

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LUIZ ANTÔNIO DE ASSIS BRASIL
professor na PUC-RS e autor de "Ensaios Íntimos Imperfeitos" (L&PM), entre outros livros

Para ler:

1. Ignorar os best-sellers, por maior que seja a tentação. Deixe passar cinco anos. Se o livro ainda respirar bem, pode investir.

2. Ler com desconfiança o que lê. Se o livro resistir a essa leitura, é porque é bom.

3. Ler com lápis na mão. E usá-lo.

4. Conhecer pessoalmente o escritor só depois de ler o livro; caso contrário, a figura do escritor ficará colada ao texto, como um fantasma.

5. Ler edições que tenham bom gosto. Uma edição amadora piora dramaticamente o livro.


Para escrever:

1. Dedicar mais tempo à leitura do que à escrita.

2. Usar em abundância o ponto final, especialmente quando a frase resiste a qualquer conserto.

3. Usar material de primeira qualidade: bom computador, bom papel de impressão, bons cadernos (sugiro o Moleskine), boas canetas, bons lápis.

4. Não levar laptop para a cozinha ou para a sala de visitas. Se não tiver um gabinete exclusivo, o quarto é uma boa escolha.

5. Escrever apenas sobre o que conhece perfeitamente, mesmo que seja um romance passado no fututo.

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MARCELO FREIRE
é autor, entre outros livros, de "Contos Negreiros" (ed. Record) e organizador de "Os Cem Menores Contos Brasileiros" (Ateliê).


Para ler:

1. Quanto mais um livro fizer mal, melhor.

2. Confortável precisa ser a cama, não a literatura.

3. Evitar lista dos mais vendidos.

4. Livro não é para ser entendido, é para ser sentido.

5. Desconfiar das dicar que te dão.


Para escrever:

1. Cortar palavras.

2. Não usar garvata na hora de escrever.

3. Ouvir, mesmo que baixinho, a própria voz.

4. Desconfiar daquele texto que sua mãe gostou.

5. Ler e beber muito. E, no mais: viver.

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LUÍS AUGUSTO FISHER
é crítico literário, professor na UFRS e autor de "Machado e Borges" (ed. Arquipélago), entre outros.


Para ler:

1. Se você estiver diante de um clássico provado pelos tempos - Shakespeare, Voltaire, Machado de Assis - e acontecer alguma dificuldade na leitura, pode ter certeza de que o problema é seu, não do texto. Bons textos muitas vezes exigem mais de uma tentativa de leitura.

2. No concreto de uma leitura, pode acontecer que a fruição fique embaçada. Antes de entrar em pânico, tente localizar o foco do impasse: se for uma palavra específica que seja desconhecida, pata isso existe o dicionário; se não, volte a atenção para os "que", para nexos entre as partes da frase.

3. Um texto literário, obra de arte que é (ou aspira a ser), tem direito de ser como é, em sua integridade. Isso alerta para a necessidade de a leitura ser mais respeitosa: o leitor deve dispor-se a receber as informações e as formas do texto tal como o autor as concebeu. Mas isso não impede que o leitor comum pule fora ao perceber que seu honesto empenho de leitura não está sendo recompensado.

4. Um texto literário merece ser lido em pelo menos duas dimensões, uma linear e a outra enviesada. A segunda é menos perceptível, mas muitas vezes é decisiva, e tem sua carnadura num plano alusivo, nas chamadas entrelinhas, num patamar figurado ou alegórico. A boa leitura não pode contentar-se com a decifração daquela primeira dimensão, necessitando uma atenção mais difusa, próxima da atenção que os psicanalistas praticam ao ouvir o paciente.

5. Em narrativas, um detalhe radicalmente importante, em especial nos romances e contos escritos a partir do final do século 19 (no Brasil, o marco é Machado de Assis, mas você pode pensar em Dostoiévski, em Poe, em Flaubert) é o jeito de ser do narrador. O bom leitor sempre mantém em vista que o narrador pode ser parte interessada no enredo, pode ser parcial na avaliação dos fatos e das pessoas que menciona, pode saber mais ou menos do que aparenta.


Para escrever:

1. Tenha sempre em conta que do outro lado de seu texto há, na melhor hipótese, um leitor; e que essa figura, preciosa e fugidia, pode abandonar o barco a qualquer momento. O autor tem todo o direito de radicalizar sua escrita, ser inventivo e ousado, mas também o leitor tem o direito de radicalizar por sua parte, caindo fora.

2. Uma das escolhas básicas para quem escreve um relato diz respeito à distância que o texto vai colocar entre a voz narrativa e o(s) personagem(ns), entre as palavras que o leitor vai ler e a vida íntima do personagem, dentro do enredo. Mesmo um narrador de terceira pessoa pode ser muito próximo dos fatos e das pessoas envolvidas, pode acompanhar as ações muito de perto, assim como um narrador de primeira pessoa pode manter uma distância relativamente serena a respeito dos fatos.

3. Embora no sentido trivial o leitor é quem escolhe o texto que vai ler, num sentido muito profundo é o texto que escolhe seu leitor: suas escolhas vão delimitando o universo potencial dos leitores, que serão mais ou menos sofisticados ou numerosos conforme as opções do autor. Confrontar ou agradar o leitor, eis uma questão que é bom ter em mente, para fazer a escolha que interessa (nisso os grandes revolucionários tem muito a ensinar; veja como Miguel de Cervantes, Honoré de Balzac, Machado de Assis e outros tratam o leitor).

4. Escrever é, em grande medida, administrar entre conhecido e desconhecido, redundância e informação. Um dos riscos sempre implicados nesse campo é o de depender do "background" do leitor, das informações que ele traz (ou não) consigo. Muitas vezes um relato sucumbe porque espera que o leitor aporte conteúdos para compor sentidos de alusões, entreditos, sugestões que o enredo contém.

5. Quem inventa uma ficção está mentindo e espera que o leitor aceite a mentira. Mas sobre essa base há uma outra camada de indispensável verdade: o escritor nunca deve trapacear, nunca fazer pose ou jogar para a torcida. Se começar contar uma história, tem que assumir o compromisso de contar tudo que importa para que ela aconteça.


quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Cinema em casa

Depois de um longo tempo sumido, as coisas retornarão ao seu ritmo habitual por aqui. Ao contrário do que poça parecer, as férias não contribuíram para uma maior produção. No entanto, esse tempo parado me deu oportunidade para ver uma considerável quantidade de filmes e seriados. Vou aproveitar a oportunidade para fazer um pequeno balanço do que vi.


Apenas uma vez (Once, Irlanda, 2006) – Pode parecer pouco atraente assistir a um romance musical irlandês, ainda mais se não gostar de nenhum desses gêneros. Se esse for o seu caso, esse filme talvez possa mudar sua opinião. Ele conta a história da parceria musical entre um músico de rua e uma jovem mãe, ele com seu violão, ela com o piano. “Apenas uma vez” nasceu após o diretor John Carney assistir a um concerto da banda do ator Glen Hasard em Dublin. Impressionado, o diretor o convidou para compor as músicas para o filme e para o papel do músico. Da parceria surgiu 10 canções originais e um roteiro de 60 páginas. O longa em si usa de diversas técnicas de videoclipes na composição de suas cenas. Assim foi na parte quando a florista (que não tem nome, assim como o seu parceiro musical, vale notar) anda pelas ruas da cidade a noite ouvindo pelo CD player portátil a música produzida por eles. Mas a cena mais emblemática do filme é quando os dois estão na loja musical e tocam pela primeira vez juntos. Ela representa exatamente a união de duas personalidade inseguras, em início de relacionamento, quando a confiança vem aos poucos. De fato, inseguros no início, o casal aos poucos vão conseguindo entrosamento necessário e no final acabam executando a bela canção “Falling Slowly”, que surpreendente e merecidamente ganhou o Oscar de melhor canção. Portanto não se deixe enganar, apesar de não possuir um enredo inovador nem de ser uma produção sofisticada, o filme acerta ao retratar pessoas comuns, sentimentos comuns, mas com um importante detalhe: muita poesia. COTAÇÃO: ÓTIMO


Sete Vidas (Seven Pounds, EUA, 2008) - Há atores que conseguem fazer de um filme apenas razoável em algo muito interessante. Um desses atores é Will Smith. Ele já havia feito isso em "A Procura da Felicidade", o que lhe rendeu uma merecida indicação ao Oscar, e agora em "Sete Vidas". A intensidade da sua interpretação do papel de um agente da receita federal, cujo principal propósito é ajudar pessoas em dificuldades, é o que dá densidade ao filme. Nele nada vem de graça, no princípio nada sabemos do passado do personagem ou de sua motivação, os mais perspicazes descobrirão isso através dos confusos flash-backs espalhados pelo longa. Rosario Dawson também faz boa interpretação. Cotação: BOM


A Troca (Changeling, EUA,2008, 140 min.) - Poderíamos dizer que esse filme também muito se sustenta sobre a interpretação de Angelina Jolie, o que é verdade, mas não podemos descartar a direção de Clint Eastwood como responsável pelo resultado final do longa. O roteiro expõe o drama vivido por Christine Collins cujo filho desapareceu de sua casa. Após meses de busca, a polícia dá por encerrado o caso ao encontrar garoto que se dizia filho dela. Mas a realidade é que o garoto não era filho de Christine. A sequência de situações absurdas, que realmente aconteceram na Los Angeles da década de 20, tem início quando a polícia se recusa reiniciar as buscas e põe em dúvida a sanidade da mãe que recusa a procurar pelo seu filho ainda desaparecido. O ritmo lento pode desagradar, mas o mistério criado sobre do paradeiro do filho de Christine dá sustento ao filme. Angelina Jolie fez a melhor interpretação de sua carreira, digna de Oscar. É surpreendente como um diretor do calibre de Eastwood pode fazer render uma atriz como Jolie, que vinha sendo subaproveitada em papéis caricaturais (Lara Croft) e inexpressivos (Alexandre) desde Lisa, a sociopata de "Garota, Interrompida", papel que lhe rendeu o Oscar de melhor atriz coadjuvante em 2000. Cotação: BOM


O Curioso Caso de Benjamim Button (The Curious Case of Benjamim Button, EUA, 2008) - Está aqui o meu preferido de todos e um dos melhores filmes que já vi. David Fincher traz as telas a fábula do escritor norte-americano F. Scott Fitzgerald que retrata a vida de Benjamim Button, cujo relógio biológico nasceu invertido, ou seja, nasceu velho e, com o passar dos anos, rejuvenesce. São inúmeras as reflexões que se pode fazer durante o filme, todas envolvendo o passar do tempo e seus reflexos na vida das pessoas e nas relações entre elas. Sob essas circunstâncias nenhum relacionamento é sustentável, a inexorável passagem do tempo paulatinamente o afasta dos mais próximos, o sentimento de deslocamento é grande, principalmente durante a velhice e a adolescência. A grande vítima desse quadro é Daisy (Cate Blanchett), por quem Benjamim se apaixonou desde a sua velhice. Para Button o tempo é particularmente cruel. A qualidade do longa não se limita apenas ao roteiro, vai para a parte técnica (impecável ao fazer de Brad Pitt um velho com 80 anos e um adolescente de 17) e dramática (Pitt e Blanchett dão show). Entretanto, "Benjamim Button" foi o grande injustiçado no Oscar desse ano, levou apenas 3 estatuetas, todas relativas a parte técnica. E injustiça é algo que David Fincher entende muito bem, seu trabalho anterior, "Zodíaco", foi uma das principais ausências do Oscar nos últimos anos, nem sequer sendo indicado. Cotação: ÓTIMO


Dúvida (Doubt, EUA, 2008) - Dúvida. Foi isso mesmo que senti quando comecei a assistir esse filme. Estava inseguro quanto ao que eu começava a ver, temia ser apenas mais um dramalhão americano, aqueles cujas soluções se embasam mais em emoções vazias do que na razão. Mas, como pude constatar depois, estava muito mal informado. Dificilmente um filme que tenha Meryl Streep no elenco seria dispensável e nesse especialmente ela dá algo mais. Ela nos oferece uma atuação qualquer coisa de primorosa! Dificilmente o longa teria o mesmo resultado sem ela. A cena em que a irmã Aloysius (Streep) tem a discussão final no seu escritório com o padre Flynn (Phillip Seymor Hoffman) foi uma das melhores dos últimos anos. Ela é o clímax da perseguição da irmã contra o padre, acusado por ela de aliciar menores. Tema que, a propósito, é tratado com extremo cuidado pelo diretor e roteirista John Patrick Shaley. Em nenhum momento do longa as acusações são explicitamente feitas, talvez que seja daí que parta a dificuldade em compreender o filme. O filme em si não é uma obra-prima, mas atinge um resultado satisfatório. Cotação: BOM



quinta-feira, 2 de julho de 2009

Verão


Assim como o prenúncio de uma tempestade

se pode passar por uma leve brisa,

uma paixão de verão

se pode disfarçar de um grande amor

para um embriagado coração.


Que não sabia que o sol lhe cegava,

que a forte chuva o desorientava,

sem chances de dimensionar a realidade

de uma relação baseada na falsidade.


Cansado de apanhar, o coração envelheceu

acorrentado a sentimentos que não querem se soltar.

Exausto de sonhar por dias melhores

e com um verão que nunca vai voltar.


Unanimidade nacional



"O sucesso desse Timão é incontestável." Globoesporte.com

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"A campanha do Corinthians na competição foi irrepreensível." UOL Esporte

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"Só se ouvia uma torcida cantar. Cantava que o "Coringão voltou". Juca Kfouri

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"Venceu a Série B, o Paulista de forma invicta e a Copa do Brasil em seguida, um feito para qualquer clube." Cosme Rímoli

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" O Corinthians novamente não se abalou com o clima de otimismo do rival, segurou um empate por 2 a 2 na noite desta quarta-feira e confirmou a sua terceira conquista do torneio nacional." Terra

terça-feira, 30 de junho de 2009

Tiras Capitais #14


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Fábio Moon e Gabriel Bá