domingo, 6 de fevereiro de 2011

Crítica - O Escritor Fantasma

Não foi apenas Wes Craven que saiu em 2010 de um hiato de cinco anos sem dirigir um filme próprio, Roman Polanski também retornou ao ofício de diretor no ano que passou. O Escritor Fantasma é o seu primeiro filme após Oliver Twist de 2005 e é o primeiro depois da acusação de estupro de uma menor que o levou a prisão domiciliar. Mas esqueça a ficha policial do diretor e aprecie a qualidade do seu último trabalho, que apesar de não ser nenhuma de suas obras-primas, ainda é um dos melhores filmes do ano de 2010. Apesar de centrado em uma figura não muito comum ao nosso cotidiano, o escritor fantasma, o filme consegue desde os primeiros minutos de projeção, lançar o espectador em um suspense tão bem construído e amarrado, que suas mais de duas horas de duração passam voando. Polanski, que também assina o roteiro juntamente com Robertt Harris, constrói o enredo de forma lógica e fluída, previlegiando assim o suspense que serve como o principal motor do filme.

Um escritor fantasma é aquela pessoa que escreve um discurso ou um livro ao qual se atribui a autoria para outra pessoa. É um ofício muito comum junto a políticos, que precisam de uma pessoa que elabore suas declarações e artigos. Ou seja, o escritor fantasma não leva o crédito por nada do que escreve e seu nome é totalmente desconhecido pelo público em geral, que nem se dá conta de sua existência. Pois bem, Ewan McGregor é um desses esritores fantasmas (é somente assim que ele será referido, seu nome não é revelado) que é chamado para escrever as memórias do ex-primeiro-ministro da Inglaterra, Adam Lang (Pierce Brosnan). Para isso ele precisa realizar uma série de entrevistas com o político e assim transformar tudo em prosa. Levado a residência de Lan, localisada em uma isolada ilha dos EUA, o escritor fantasma descobre que seu predecessor foi encontrado morto sob circunstâncias bastante estranhas e começa desconfiar das pessoas que o cercam.

Polanski foi muito competente na hora que precisou transmitir o clima de suspense. Valeu-se para isso de uma trilha sonora que lembra muitas vezes a obra de Bernard Herrmann (grande contribuidor nas trilhas dos filmes de Hitchcock), assinada pelo francês Alexander Desplat. Também contribuiu a fotografia bastante soturna. A ilha onde está instalada a residência do ex-primeiro-ministro ou está sob tempo nublado ou sob uma chuva torrencial. Esse tempo úmido contribui para que um certo clima noir seja dada a produção. Mas o ingrediente mais importante do filme é sua trama investigativa. Em nenhum momento a história esfria, Polanski conseguiu a façanha de paulatinamente ir aumentando a dose de suspense, para, no final, nos brindar com um final memorável, cheio de significado e, o mais importante, totalmente plausível diante do filme como um todo.

Ewan McGregor está muito bem no papel principal, conseguindo passar o sentimento de medo e desconfiança de maneira clara e convincene. Não lhe foi exigido grandes diálogos, mas O Escritor Fantasma é o tipo de filme cuja uma única expressão ou imagem, vale mais do que mil palavras. O elenco de apoio também está ótimo, entre eles se destaca Olivia Williams (de O Sexto Sentido, no papel da esposa do primeiro-ministro) e Tom Wilkinson. O filme também conta com participações especiais de Eli Wallach e James Belushi (quase irreconhecível).

Agraciado com o Urso de Prata de melhor direção no Festival de Berlim, O Escritor Fantasma não conseguiu sequer uma indicação para o Oscar 2011, em mais uma daquelas típicas injustiças praticados pela Academia, cujo conservadorismo, associando talvez a figura polêmica de Polanski com o filme, prejudicou o reconhecimento das qualidades de um dos melhores suspenses do ano, ao lado de A Ilha do Medo, de Scorsese. Esse também talvez tenha sido o motivo do fracasso do filme nos cinemas americanos.


O ESCRITOR FANTASMA *****
(The Ghost Writer, França / Alemanha / Reino Unido, 2010, 2h05, Suspense)
Direção: Roman Polanski
Com Ewan McGregor, Pierce Brosnan, Olivia Williams, Kim Cattrall e Tom Wilkinson.
Cotação: ÓTIMO
Cotação: 7,5

1 comentários:

Cineasta Leonardo disse...

Infelizmente , não consegui assistir este filme ! Eu adoro o Roman Polanski , provavelmente este filme é bom mesmo !