sábado, 5 de fevereiro de 2011

Crítica - A Sétima Alma

Cinco anos depois de seu último filme como diretor, o competente Voo Noturno, a volta de Wes Craven por trás das câmeras era muito esperado pelos seus fãs. O criador de clássicos do cinema de terror como A Hora do Pesadelo e a franquia Pânico (mérito dividido com Kevin Williamson), Craven tentou emplacar novamente um sucesso com o bastante aguardado A Sétima Alma, pois além de ser seu primeiro em cinco anos é também o seu primeiro roteiro original desde 1994. Contudo os anos de espera não foram correspondido e o seu mais novo filme não emplacou. Parece que Craven decidiu ficar em sua zona de conforto e resolveu não ousar em nada no filme, pois o que se vê é apenas os mesmos elementos trabalhados por ele em Pânico e na saga Freddy Krueger.

Os erros começam logo na fragilidade do roteiro. A história sobre a maldição lançada sobre os sete rebentos nascidos na noite da morte de um serial killer na pequena cidade de Riverton não tem nada se complexa, mas o modo como a história é passada para o espectador é terrível de confusa, sem falar que é fraca na hora de fazer suspense. Não é preciso ser a mais atenta das pessoas para perceber como a história irá se desenrolar e, consequentemente, como ela irá terminar. Até porque a sensação de dèjá-vu é grande. A falta de originalidade é gritante. Para se ter uma ideia o filme possui todas as cenas necessárias presentes nos filmes do gênero: há o misterioso serial killer que aos poucos vai alvejando o seu nicho de vítimas (alguém falou em A Hora do Pesadelo?), uma lenda que dá suporte a todo medo que se instaura na trama (ouvi Amaldiçoados?), sem falar que o assassino está entre os personagens do filme (Pânico?).

O grande problema do filme é esse: Craven não inova, faz do seu novo filme um amontoado de cenas inspiradas nos seus antigos sucessos. Os sustos são previsíveis. Nesse ponto não pude deixar de notar que a cena em que os irmãos Bug e Fang estão escondidos do serial killer dentro do armário. Praticamente uma cópia de uma cena do suspense Os Estranhos, com Liv Tyler.

É de conhecimento geral que os filmes de terror não prezam pela originalidade. As video-locadoras estão inundadas de filmes assim, do tipo que sai direto em DVD. No entanto, ao ver o nome de Wes Craven encabeçando uma produção pela primeira vez em anos, ainda mais após a qualidade de Voo Noturno, sem falar no lançamento em 3D nos cinemas (coisa que hoje em dia não significa mais nada), era de se esperar algo diferente. 

Está previsto para o dia 15 de abril o lançamento de Pânico 4, mais uma tentativa de Craven de voltas aos bons tempos, novamente apoiado nos nomes dos outros filmes da franquia, como Neve Campbell, Courteney Cox e David Arquette. Esperamos que não seja mais do mesmo, coisa que não acredito.


A SÉTIMA ALMA **
(My Soul to Take, EUA, 2010, 1h38, Terror)
Diretor: Wes Craven
Com Max Thieriot, John Magaro e Denzel Whitaker
Cotação: RUIM
Cotação IMDB: 4,5

0 comentários: