segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Filmes Essenciais #18 - Disque M Para Matar

Hitchcock foi tão genial na arte cinematográfica que conseguia retirar de cenários limitados grandes histórias. Rodado praticamente dentro de um limitado espaço, Disque M Para Matar se passa quase somente dentro do apartamento do casal interpretado por Ray Milland e Grace Kelly. O diretor já tinha fazido algo semelhante em Festim Diabólico, onde, além de rodar o filme quase sem cortes, a história se passou apenas dentro do apartamento dos personagens principais. E parece que quanto mais limitadas são as condições, maior se mostra a técnica de Hitchcock de filmar. Sempre sustentado em ótimos roteiros, o diretor sabia como conduzir a narrativa de modo que o filme não se mostrasse sonolento. O enquadramento de sua câmera é perfeita.

Milland é Tony Wendice, ex-jogador de tênis que descobre que sua mulher Margot (Grace Kelly) o está traindo com um escritor de romances policiais. Desiludido e interessado na possível herança, Tony planeja um plano genial para matar sua mulher. Para isso chantageia um conhecido seu, notadamente mal elemento, para executar o plano. Mas, conforme foi antecipado num dos diálogos entre Tony e o escritor de histórias policiais quando este sustentou não existir plano perfeito, tudo deu errado. Num golpe de sorte, Margot consegue matar seu algoz no momento que ele a estrangulava e uma intricada investigação policial então se dá início.

É impressionante como o roteiro consegue trabalhar com todos os detalhes da trama de forma coerente. Pequenos elementos da história como a jogo das chaves, a meia-calça e a janela aberta demonstram o quanto é elaborado o plano de Tony e, posteriormente, a investigação policial. Para suprir a limitação proposital do espaço, muito se foi exigido dos seus atores, fazendo-os também grandes responsáveis por manter o fôlego do filme até o fim. Perceba o quanto os atores caminham enquanto conversam. No todo, é irrepreensível a atuação tanto de Ray Milland quanto de Grace Kelly (que fazia o seu primeiro filme com Hitchcock, posteriormente trabalharam juntos também em Janela Indiscreta e Ladrão de Casaca).

Se fosse considerar apenas a trama de Disque M Para Matar seria fácil reconhecer a qualidade do filme a surgir, mas sob a batuta de Hitchcock fica evidente que ele é muito melhor do que podia se esperar dele. Vemos sua mão em quase tudo, desde a escalação do elenco, passando pela intrigante história até o comportamento da câmera, que mostra somente aquilo que o diretor pensava em passar no momento e, apesar de sabermos o culpado do crime desde o começo, soube reservar um final surpreendente. Técnica e conteúdo: isso é Hitchcock.


DISQUE M PARA MATAR *****
(Dial M for Murder, EUA, 1954, 1h45, Suspense)
Diretor: Alfred Hitchcock
Com Ray Milland, Grace Kelly e Robert Cummings.
Cotação: ÓTIMO
Cotação IMDB: 8,1

1 comentários:

Cineasta Leonardo disse...

Ainda não consegui assistir a este filme , adoro o Hithcock , é o meu diretor preferido.