Woody Allen cansou de não ter seu trabalho reconhecido nos EUA e, em busca de recursos, decidiu trocar o cenário de sua amada Nova York pela paisagem de Londres, onde encontrou muita gente disposta a financiar suas ideias, dando-lhe o que ele mais queria: ampla liberdade artística para criar sua nova produção. Allen assim iniciava uma nova fase de sua carreira no momento em que alcançava os 70 anos de idade. O primeiro fruto desse novo rumo foi Match Point - Ponto Final, ambientada em Londres e quase desprovido daquilo que se tornou uma de suas marcas registradas: o humor.
O filme começa com um interessante preâmbulo falando sobre a influência da sorte sobre o rumo das nossas vidas. A bola passa de um lado e do outro até que ela esbarra na parte de cima da rede e sobe. Dentro de alguns centésimos de segundos o destino da partida será selado com a passagem ou não da bola para o lado oposto da quadra. Ou seja, a sorte vai definir o sucesso ou a desgraça do tenista. Essa reflexão somente irá fazer sentido junto à história do filme nos seus momentos finais, mas ela serve para logo nos primeiros minutos de projeção, arrematar o espectador para somente libertá-lo quando os créditos começarem a rolar.
A envolvente história de Match Point começa mostrando o ex-tenista Tom Hewitt começando a dar aulas num exclusivíssimo clube de tênis de Londres. Devido ao seu gosto por ópera, ele começa uma amizade com o playboy Chris Wilton. Logo Hewett se torna amigo de toda a família, principalmente da irmã Chloe com quem começa um relacionamento. Entretanto é da noiva de Chris que ele tem uma incontrolável obsessão, ameaçando a estabilidade e o luxo que começou a desfrutar de sua nova posição.
Conduzido de forma compassada e contida, a história de adultério logo toma contornos dramáticos e expõe toda a hipocrisia do personagem principal. De um romance, aos poucos a tensão vai subindo, transformando a história em um suspense imprevisível, algo semelhante ao que Allen fez em O Sonho de Cassandra (2007). Em ambos os filmes o acaso exerce grande influência sobre a vida dos seus personagens, demonstrando que ela pode ser decidida nos pequenos detalhes, conforme o exposto na cena inicial de Match Point.
Muito bem recebido pela crítica (inclusive a norte-americana que pegava no seu pé) o filme acerta o tom, prende a atenção e nos oferece um final digno de um grande filme. A mudança de ares fez tão bem ao diretor que ele filmou Londres nos seus dois filmes seguintes: Scoop - O Grande Furo e O Sonho de Cassandra. Somente com esse pequeno exílio na Europa que os americanos pareceram ter percebido a falta que ele faz por lá.
PONTO FINAL - MATCH POINT ****
(Match Point, Reino Unido/EUA/Irlanda/Rússia, 2005, 2h02, Drama)
Direção: Woody Allen
Com Jonathan Rhys Meyers, Scarlett Johansson, Emily Mortimer e Brian Cox.
Cotação: BOM
Cotação IMDB: 7,8

2 comentários:
O inesperado e o esperado no clímax final intensifica elogios a narrativa de Allen.
Ao contrário de muitos, acho esse a obra-prima do Woody Allen.
http://cinelupinha.blogspot.com/
Postar um comentário