Virou moda nos últimos dez anos a refilmagem americana de grandes sucessos do terror japonês. A lista é extensa e inclui filmes conhecidos como O Chamado (adaptação de Ringu, de 1998), O Grito (adaptado de Ju-on, de 2003) e Água Negra (versão homônima do filme japonês de 2003) dirigida pelo brasileiro Walter Salles. Todos esse filmes, sem exceção, não conseguiram superar o irmão japonês em qualidade, seja em relação ao roteiro, seja em relação aos sustos proporcionados. Outra produção americana que falha miseravelmente ao tentar retratar um sucesso do terror japonês é Pulse. E não foi por falta de know-how que isso aconteceu: produzido pelos irmão Weinstein e roteirizado pelo outrora mestre dos filmes de terror Wes Craven, Pulse não conseguiu transmitir toda a experiência proporcionada por Kairo (2001), que é considerado por muitos um dos melhores filmes do gênero.
A premissa do filme até chega ser interessante: aparentemente todos cujos computadores são infectados pelo vírus "Red Tape" acabam se suicidando. Na verdade, isso ocorre devido aos espectros que acompanham a corrente elétrica para se propagar e, desse modo, possam sugar a vida das pessoas. Mas todos os pontos forte que possa se extrair do roteiro se perdem totalmente, rendendo apenas um susto aqui e outro acolá. Nada mais. Não seria de esperar mais do diretor Jon Sonzero que não tinha feito (e ainda não fez) mais nenhum filme.
Pulse perdeu uma ótima oportunidade para trazer a baila questões interessantes que poderiam ser adicionadas para dar mais verossimilhança às cenas e mais profundidade à história, deixando de lado aquela incômoda sensação (comum nos filmes de terror) de que o próprio filme não se leva a sério, que a única coisa que importa seja o terror na espécie. A abordagem sobre as consequências do uso demasiado de tecnologia sobre as relações pessoais (presente na versão original) é apenas tratada tangencialmente. Mas o que essas produções parecem não entender é que a plausibilidade da história influencia muito na sua qualidade, mesmo que se trate de eventos fantásticos. Pulse possui erros de continuidade crassos e soluções risíveis. O cenário apocalíptico decorrente do vírus-fantasma seria facilmente contido se, para dar apenas uma sugestão, a torre de celular fosse desativada.
Antes de assistir Pulse (se é que o leitor esteja tentado a passar por tão decepcionante experiência), recomendo que assista Kairo, para que a fórmula original trazida pelo filme japonês não chegue desgastada e que a boa experiência proporcionada por ele não se perca. Por isso antes de assistir qualquer filme adaptado do japonês é melhor conferir a obra original, que invariavelmente é melhor.
PULSE *
(idem, EUA, 2006, 1h21, Terror)
Diretor: Jon Sonzero
Com Kristen Bell, Iam Somerhalder e Christina Millian.
Cotação: PÉSSIMO
Cotação IMDB: 4,5

1 comentários:
Meu Deus , este filme é péssimo ! Cara , eu gosto de filmes de terror , mas eu não sei o que está acontecendo com este tipo de gênero , não consigo me lembrar muito bem de filmes de terror bons atualmente ! Bela crítica.
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